UM BREVE PASSEIO PELA CÂMARA MUNICIPAL

Sessão de leitura, discussão e votação do texto do executivo sobre o Plano Plurianual (PPA) da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Presidente Leonel Feitosa – Lendo o texto enquanto a maioria dos parlamentares está desatenta: uns em conversa com os parceiros e outros olhando ao léu. Feitosa olha de esguelha, irrita-se e aplica uma carraspana nos desatenciosos com um estou lendo para ninguém. Continua. Os desatentos simulam um efeito carraspana com uma ligeira atenção e logo voltam ao habitual comportamento. Termina de ler o texto e cede a palavra ao vereador Paulo Di’ Carli. Em seguida, vira-se para o vereador Paulo Nasser e começa uma conversa.

Paulo Di’ Carli – Com ar de quem descobriu o segredo do secreto, o vereador diz que encontrou no texto, o que outros parlamentares não viram: a semelhança antidemocrática com o governo da Venezuela, onde o estado democrático não é respeitado. Sua descoberta revela o autoritarismo do artigo quinto que permite ao executivo alterar, incluir, excluir matérias, de acordo com seus interesses. Ou seja, mexer no Plano. O que tira dos vereadores seus poderes legislativos. Vereador Jorge Maia pede a palavra.

Jorge Maia – Elogia a observação de Di’Carli e começa a falar. Olha para Di’Carli e chama sua atenção para o que vai pronunciar. Di’ Carli, de lado, permanece alheio ao chamado.

Leonel Feitosa – Outra carraspana. Chama atenção de Di’ Carli para a fala de Jorge Maia. O vereador desatencioso se submete ao chamado.

Jorge Maia – Diz que já sabia da posição do executivo. Lembra do Orçamento Participativo, bandeira do PT, agora esquecido. Dirige sua alusão ao vereador Waldemir José do PT, e começa a desconsiderar a forma como foi conduzido o trabalho do Orçamento Democrático junto com as comunidades, que para ele foi um ato de politicagem para ajudar alguém. Os delegados dos bairros Alvorada, Redenção, Nova Esperança, e outros foram escolhidos de acordo com os interesses politiqueiros. Que ele foi contra a indicação política do responsável pela atividade. Para ele, deveria ser alguém da administração. Chamou atenção para o fato, ao líder do prefeito, vereador Brás Silva.

Brás – Comenta que foi bom ele puxar o assunto, pois sabia que a pessoa que Jorge Maia estava se referindo não era ele. Havia participado de todas as discussões sobre o Orçamento Democrático em quase todas as Zonas, só não na do Bairro de Jorge Maia. E tudo fora dentro dos princípios democráticos.

Jorge Maia – Rebate, afirmando que sabia como tudo tinha acontecido. E sabia que a verba que seria distribuída para as comunidades era muito pouca e alguns bairros não iam receber. Para ele a distribuição deveria ser para todos. Pelo menos 5 reais para comprar um saco de bom-bom. A sua comunidade, bairro da Alvorada, fora prejudicada.

Leonel Feitosa – Em estilo debochado, Belarmino Lins, a ironia avessa à democracia, consola-o, proferindo que ele não deveria se preocupar, pois a Alvorada está bem representada, por ele, no parlamento.

Waldemir José – Afirma que não quer entrar no formalismo, diz que o tempo foi curto para estudar o texto e não foi avisado nos recintos da casa parlamentar o que seria o certo.

Leonel Feitosa – Mais carraspana, desta vez em Jorge Maia envolvido em risonha conversa com um parceiro.

José Ricardo – Considera que haveria que se ter preocupação com o texto do executivo, mas o PPA era para os períodos 2008/2009 e as intervenções do executivo no Plano só seriam consideradas posteriormente. Agora, o que estava contando mesmo era o Plano corrente, ligado às promessas do prefeito para população e que não foram cumpridas, como exemplo as creches que não foram criadas, mas foram prometidas em campanha. Isto sim que a população vai cobrar nas eleições. O que o Plano não realizou.

……………………………

Feita a votação, o PPA foi aprovado com 19 votos a favor e 5 contra.

Assim termina um breve passeio por uma casa democrática, onde a maioria dos parlamentares ecoa a voz do executivo, é alheia aos pareceres dos companheiros e cultua o escárnio.

1 thought on “UM BREVE PASSEIO PELA CÂMARA MUNICIPAL

  1. Procurano pela familia di carli cheguei até aqui, achei bem legal, isso deveria sr feito até na presidencia. Prometer não cumprir. cpis sem soluções etc. Trabalheiuns anos com um di carli, e queria saber notícias.

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