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@ COPA DO MUNDO PODE RENDER FIM DE CPI. Às vésperas do anúncio do Brasil como sede da copa do mundo de 2014, o presidente da CBF (e genro do boss de honra da FIFA, João Havelange), Ricardo Teixeira, circulou nos corredores do congresso nacional e do senado, a fim de convencer os legisladores a não assinarem a CPI do Corinthians/MSI, que investigaria a já investigada e comprovada ligação do time paulista com lavagem de dinheiro internacional, através do russo Boris Berezovsky e seu testa de ferro, o iraniano Kia Joorabchian (veja reportagem da revista Carta Capital de 14/09/07). Embora o país já tenha garantido o direito de organizar o evento, e o próprio Josef Blatter tenha afirmado que o Brasil só perde essa se “o futebol deixar de ser praticado”, Ricardo parece ter conseguido o seu intento. A CPI, que precisa da assinatura de 171 deputados e 27 senadores, contava, até a visita de Ricardo Teixeira, com 209 e 38, respectivamente. Então, os senadores e deputados que pleiteiam que suas capitais sejam sedes da copa começaram a abandonar o barco. “Fiquei sensibilizado”, afirmou o senador Garibaldi Filho (PMDB/RN), ao justificar a retirada da sua. Outros pretensos defensores da democracia aparentemente não se importaram com os anos em que Teixeira está à frente da CBF, e também retiraram suas assinaturas, como os senadores Eduardo Azeredo, Tasso Jereissati e Flexa Ribeiro. Do Amazonas, a deputada Vanessa Grazziotin retirou a sua. Mais que um ato esperado do congresso/senado, o episódio é ilustrativo do tipo de relação entre poder público e iniciativa privada na chamada pós-modernidade. Quando os interesses são os de mercado, não há sequer a tentativa de ofuscar o olhar do público, e inclusive as autoproclamadas representantes da opinião popular, as mídias, entram na jogada. Depois o Maradona é que é má influência no esporte. I inda tem francês…

@ APROVADA CONSTITUIÇÃO BOLIVARIANA pela Assembléia Nacional da Venezuela. Agora, a nova constituição irá à aprovação ou não por referendo popular, no próximo dia 02 de dezembro. Propostas como o fim do número de vezes em que um presidente pode ser reeleito, a redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas diárias, o fim da autonomia do Banco Central e a criação do ‘poder popular’, configurado pelas assembléias comunitárias, que terão poder equivalente aos outros da organização de Estado, e mudanças na concepção civil de propriedade privada estão entre as modificações propostas. Neste sábado, irão às ruas manifestantes contrários à nova constituição, em manifestação convocada pela direita. No domingo, serão os favoráveis às mudanças que tomarão las calles. Um abraço do Hugo Chávez pra quem adivinhar em qual das manifestações vai dar mais pessoas realmente, e em qual delas vai ter mais gente SEGUNDO a mídia golpista brasileira e internacional. Lembrando que no referendo convocado pelo próprio Hugo e solicitado pela direita, a fim de retirar seu mandato, com observadores internacionais, deu 60% NÂO. E enquanto Chávez, ditador, populista e manipulador submete seus atos aos desígnios populares, pelos mecanismos democráticos do Estado de Direito, o democrata, intelectual e liberal Nicolas Sarkozy implementa a constituição da União Européia forçosamente a uma França que disse ‘Não!’ a esta mesma constituição, em referendo popular. I inda tem francês…

@ A REVISTA ÉPOCA, DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO, colocou na capa desta semana um Hugo Chávez ‘photoshopizado’, com olheiras e uma expressão de bad Guy de filme hoolywoodiano (veja aqui, no blog do próprio diretor de arte da revista). O objetivo? O de sempre, tentar desestabilizar a imagem do presidente venezuelano por estas bandas. Difícil é imaginar um Chávez que quase sempre está sorrindo, e carrega no rosto os traços de seu povo, um dia, mesmo estando zangado, trouxesse “as veias dilatadas na fronte, indicando / Como é cansativo ser mal” (Brecht). O mal que, embora não exista em si, se materializa nos rostos cansados da classe mídia odienta nacional, que não suporta ver no país vizinho a mudança do rumo, em parceria com o Brasil – ainda que este em ritmo diverso, e trilhando outros caminhos – construindo a América Latina. Subserviente aos desígnios do deus mercado, a classe midiótica nacional erra, e cai no seu próprio logro: no vazio do significante, que nada carrega e nada transforma. Por isso, enquanto eles tentam, Chávez, Lula, Kirchner, Rafa Correa, Evo e a América Latina continúan caminando la manera que si las marcas al caminar. I inda tem francês…

@ “ISSO NÃO É CASO DE POLÍCIA, MAS DE POLÍTICA PÚBLICA. A gente sabe que tipo de pressão existe nesse exato momento, até em função das vendas de natal e tudo mais, que está colocando a polícia em cima do trabalhador, criando uma situação de colocar o trabalhador como um bandido. O trabalhador tem que ser respeitado”, afirmou a teatralizante Carla Moura, do grupo de teatro popular Oi Nóiz Aqui Traveiz, na quarta-feira, 31, quando faziam uma apresentação no centro de Porto Alegre, em apoio aos camelôs que estão sendo retirados das ruas, segundo a agência Chasque. O objetivo da manifestação foi discutir com os próprios ambulantes a necessidade de organização e mobilização contra as constantes ameaças sofridas por eles vindas da Secretaria de Produção, Indústria e Comércio (Smic), que firmou convênio com a polícia militar. A parceria já resultou em violência e mais de 300 vendedores expulsos dos seus locais de trabalho. Mostrando que a questão dos ambulantes ultrapassa o âmbito policial, e envolve discussões sobre as políticas públicas sociais, de emprego e de repensar inclusive o modelo de produção do capital, o grupo faz um teatro que se afasta das luzes e do fru-fru dos grandes espetáculos para capturar a potência aesthética do canto dionisíaco, e levam para a rua as discussões políticas, que atualmente são feitas nas alcovas dos lobistas. Bem diferente de Manaus, onde a maciça maioria dos grupos de teatro só se preocupam com as benesses do Estado e com os edipianizantes prêmios de festivais do teatro para os aplausos orgulhosos da titia e do vovô dos atores, autores e diretores, patrocinados pelos papais prefeito e governador. I inda tem francês…

@ INTO THE WILD, NOVO FILME DE SEAN PENN, foi divulgado na semana passada no Festival de Roma. O filme conta a história de um jovem que fugiu de casa aos 22 anos devido aos conflitos, falsos moralismos e microfascismos familiais e resolveu viver por conta própria. Mas o filme fala mais, conforme o próprio Penn sobre o desejo de liberdade e o rompimento com a “dívida de sangue” parentais. Uma cena que tem chamado a atenção pelos primeiros locais onde o Into the Wild foi assistido é a imagem de George Bush (o pai) fazendo um discurso sobre a Guerra do Golfo, antipolítica que Bush Jr. Deu continuidade. Pelo visto, Sean Penn, que ganhou o Oscar de melhor ator em Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood, pelo tipo de filme que realizou, preocupado com questões políticas e existenciais, dessa vez dificilmente será premiado em Hollywood, mas ele mostra que não tem vínculo e diz pretender continuar atuando na direção, e na verdade já está envolvido com outro projeto. No Brasil, Na Natureza Selvagem, como será traduzido, deverá estrear no dia 31 de dezembro. Será que passará nas salas-shoppings de Manô? I inda tem francês…

@ SENADOR JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) NEGOU AS ACUSAÇÕES que estão num DVD-dossiê distribuído no congresso. Entre as acusações, destacou-se a que tenta incriminá-lo de corrupção na Companhia Siderúrgica da Amazônia, nos anos 70. Péres afirmou que tem milhares de inimigos rancorosos, os canalhas que estão fazendo uma “campanha difamatória. São notícias plantadas na imprensa e, ultimamente, há um blog, um DVD, que é um lixo eletrônico”. O senador continua sério, e quando revida com um discurso ressentido a seus detratores, iguala-se a eles em rancor. Eles se merecem. Quanto ao blog a que ele se refere, com certeza não será esse intempestivo, uma vez que esse bloguinho jamais teve nada contra ele, nem contra Amazonino, Serafim, Arthur Neto, Fernando Henrique ou quem quer que seja. Entendemos que há subjetividades duras, más para a coletividade porque tenta barrar o movimento de suas potências. Mas nem contra isso somos contra, o que fazemos é tentar liberar outras linhas que passem pela suavidade, o humor e a inteligência. Em tempo: ano passado, Péres disse que renunciaria caso Lula fosse reeleito; se tivesse cumprido eticamente o que disse, agora não estaria passando por essa perseguição. I inda tem francês…

Vamos que vamos…

Mas… para onde vamos?

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