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@ TV CULTURA FAZ PARTIDARISMO DE SI MESMA. Jornal da Cultura apresenta peça de vídeo onde afirma que sua equipe de reportagem foi ameaçada por uma criança de 12 anos com um revólver. Alarmismo moral ou fru-frus para uma audiência decadente? Ambos estão contidos na concepção de ‘notícia’ que a maior parte das televisões carrega. Como se fossem os paladinos da justiça, montam suas pautas e reportagens sem levar em conta as linhas intensivas que compõem os fatos, sem uma análise das causas eficientes que engendram aquele efeito. Não conseguem sequer alcançar que uma notícia é uma leitura existencial do fato, e requer a contextualização para que seja compreendida e tenha importância na existência dos telespectadores. Ao se escandalizar – sem nenhum escândalo, claro – com a cena chocante, a equipe que gravou as imagens ignora que também apontou uma arma para a favela da Coréia, e para o jovem: uma arma que inscreve signos, fabrica factóides e captura a imagem para mercadologizá-la como ilusão midiática produtora de verdades. Como sacou o grego Costa-Gavras, no seu cinema, O Quarto Poder, quando mostra, na abertura, uma câmera sendo montada em cortes rápidos nos planos, como se fosse uma arma. Enquanto isso, a equipe Band, que cobria um acidente de trânsito entre um carro de luxo e outro – quantos acidentes de trânsitos acontecem por dia em São Paulo e não são considerados notícias pela Band? – além de levar uma cabeçada de um dos envolvidos no acidente, teve que ouvir de outro a frase que lhe cabe à carapuça: “O que vocês estão fazendo é sensacionalismo!”. Não há diferença entre os canais de TV no Brasil. I inda tem francês…

@ “SARKOZY, A FRANÇA PEDE DIVÓRCIO”, frase estampada nas camisas dos trabalhadores do transporte coletivo francês, em greve contra medidas adotadas pelo governo. A alteração consiste na redução do tempo de serviço dos atuais 37,5 para 40 anos e atingirá os trabalhadores do metrô e transporte urbano coletivo, da companhia de eletricidade e de gás, totalizando mais de 1,6 milhões de pessoas. A frase diz respeito ao recente divórcio de Sarkozy e Cécilie, a esposa que preferiu resguardar sua existência pessoal da lente constantemente focada na existência do presidente do país. Seria o início do fim do sono dogmático que fez com que os sempre libertaires franceses elegessem um presidente com dizeres e atitudes francamente fascistas, apenas pelo receio da derrocada econômica? Ou os atuais révolutionnaires continuam pensando individualmente e reclamando apenas quando ameaçam seu órgão mais sensível: o bolso? Pelas manobras do governo, que conseguiu abrir um racha entre as centrais sindicais, tudo índica que as reformas que minimizam direitos dos trabalhadores em função da ordem do capitalismo financeiro internacional continuarão marchando sob o Arc Du Triomphe. I inda tem francês…

@ DITADURA NO DOS OUTROS É REFRESCO. Enquanto chamar Chávez de ditador é lugar comum na mídia golpista nacional e internacional, outro país tem um presidente multivezes eleito: o Paquistão. Como Chávez, Pervez Musharraf passou por diversas eleições em seu país, saindo vitorioso em todas elas. É também, como o venezuelano, militar. As semelhanças terminam aqui. Enquanto Chávez saiu incólume por diversas eleições diretas e referendos, governando uma democracia representativa, Musharraf governa um país sob regime militar, e foi eleito e reeleito por uma junta de deputados, em eleição indireta, praticamente por aclamação. Enquanto Chávez questiona a política internacional norte-americana, que pretende submeter o capital dos países à sua lógica do lucro, Musharraf abre o espaço aéreo e as fronteiras de seu país para que se transformem em passarela para os comboios norte americanos atacarem o Afeganistão e o Iraque. Depois de Israel, o Paquistão é o maior aliado dos EUA no oriente. A chegada do exílio da ex-premiére Benazir Bhutto, exilada em 1999 após duas tentativas de mandatos em que seu governo foi acusado de corrupção e enfrentou forte oposição, causou celeuma entre seus partidários (Bhutto foi convidada a compor a parte ‘civil’ do governo atual, com as benesses de Washington), e já houve um atentado atribuído pelo primeiro ministro da Austrália, John Howard, à Al-Qaeda (como ele sabe disso, desconhece-se) e a grupos radicais islâmicos pelo governo paquistanês. Bhutto fez indiretamente acusações ao próprio serviço secreto de seu país. Todo este conflito não é senão o resultado da ingerência da política americana para o oriente médio, que aplica lá o que já foi amplamente usado por aqui: corrupção de governantes, suborno, treinamento militar secreto e venda de armamentos. Enquanto isso, em outra “democracia” apoiada pelos americanosI inda tem francês…

@ O REGGAE SUL-AFRICANO FICA SEM LUCKY DUBE. O engajado cantor foi assassinado a tiros ontem, segundo informações, numa tentativa de assalto. Dube era conhecido internacionalmente pelo seu reggae sempre engajado nas questões sociais e políticas de seu país (o apartheid) e do mundo. Ele já estivera no Brasil em duas ocasiões: quando ocorreu o Reggae Ruffles (1997) e na realização do Expresso Brasil de 2004. Por sua posição política no mundo e pela música que o impulsionava a se posicionar politicamente, Lucky Dube há de se preservar no seu/nosso Reggae. I inda tem francês…

@ GILLES DELEUZE, QUE ERA “SENSÍVEL À VOZ DE EDITH PIAF”, perguntou “o que faz com que haja uma comunhão entre uma canção popular e uma obra-prima musical? Isso me fascina. Acho que Edith Piaf foi uma grande cantora, ela tinha uma voz extraordinária e, além disso, ela tinha a característica de sair do tom e de recuperar a nota fora de tom, uma espécie de sistema em desequilíbrio no qual sempre recuperamos algo”. E é com a intenção de recuperar a vida da cantora da famosa La vie en rose e A quoi ça sert l’amour que o diretor francês Olivier Dahan realizou La Môme, que no Brasil, onde sempre se modificam os títulos dos filmes por fins mercadológicos, aparece nos cinemas com o nome de Piaf – Um Hino ao Amor. Assista, perceba aquilo que o filósofo francês dizia: “O que Edith Piaf buscava? Tudo o que posso dizer sobre a saúde frágil e a grande vida… O que ela viu, a força da vida é o que acabou com ela. Ela é o próprio exemplo. Poderíamos citar Edith Piaf em tudo o que já dissemos”. I inda tem francês…

Vamos que vamos!

Mas por que vamos?

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