ARTHUR, O ELEGANTE

Depois que Lula cogitou a possibilidade de se candidatar à presidência em 2014, um ato legal amparado na própria constituição, a alcunhada oposição se excitou e manifestou toda generalidade de seus condutos neuro/cerebral mistificado. Entre estes condutos, destaque ao imutável líder do PSDB, orgulho do Amazonas, senador Arthur Neto. Sempre estimulado pelo conceito ingênuo de líder, seu duplo, cunhado nas fantasias heróicas provincianas ginasial (políticus/festivus), nos ofereceu, como é de sua verve, enunciados hilariantes mesclados com fantasmas/paranóides: catástrofe, discriminação e elegância. Em seu desespero infanto/juvenil, o senador verbopremonizou da cogitação de Lula:

“Esclerosa as veias da renovação política. As pessoas acabam mexicanizando o Brasil, e digo mexicanizando para ser elegante, pois tenho medo mesmo é de uma venezualização”.

Extraiamos o que salta das enunciações do orgulho do Amazonas:

— DA CATÁSTROFE: Esclerose na semiologia médica corresponde ao endurecimento de tecidos ou veias diminuindo suas funções consideradas fisiologicamente normais. Renovação. No senso comum re, significa voltar. No enunciado, voltar ao novo. Como nada volta, está fora de cogitação essa renovação arthuriosa. Na filosofia do alemão Heidegger, se mostra como ultrapassagem ontológica do ser. Como em filosofia não há líder, pois as vivências pessoais são individuações, e como o vociferante senador, quando cita filósofos, como aconteceu quando citou Marx e Nietzsche, se enterra mais ainda na caverna de Platão, Heidegger também está fora de cogitação. Daí concluí-se: quando ele fala de renovação política se refere ao seu partido. Como o partido se manifesta sempre pela força do ressentimento e da má consciência, Athur catrastrofeia o futuro pela própria dor do PSDB. Não carrega nada de novo. Portanto, para ele Lula já está eleito em 2014.

— DA DISCRIMINAÇÃO: O orgulhoso senador, que não sabe, como Spinoza, ser o orgulho uma idéia que alguém tem de si além do que ela é, ou seja, um afeto triste, fala com gestos de superioridade em mexicanização num demonstração inequívoca de discriminação contra o povo mexicano. Uma projeção prepotente de fantasia imperialista. E uma demonstração inequívoca de seu desconhecimento do que seja democracia. A democracia como potência política dos povos e não de um único povo. Construída nas práxis coletivas. O mesmo quando cita a Venezuela. O doloroso é que Arthur é um orgulho e Chavez é realidade.

— DA ELEGÂNCIA: Arthur usa o conceito elegância como banalidade. Tão banal que nem da postura alienada, construída pelas normas ajustadoras da classe dominante considerada aristocrática, se aproxima. Lá, onde o dândi inglês George Bryan Brummel, ilusoriamente produziu sua elegância idealizada e morreu na miséria. Arthur, em sua idéia heroicizante infanto/juvenil, não sabe ser a elegância a suavidade dos afetos gerais como beatitude sensorial/intelectiva. A fluência do homem em sua infinitude. Como ele, juntamente com a alcunhada oposição, ignora a elegância, atribui a Lula a sua condição de existência ressentida. E representa para nós o personagem do filósofo espanhol, Baltasar de Gracián, da obra “O Homem Universal” quando diz para o pavão: “Devolva-me a bela aparência que nunca tive e que, por sua culpa, não posso ter!”. Mesmo que Lula quisesse, não poderia devolver sua bela aparência, sua elegância, à alcunhada oposição. E mesmo que pudesse, jamais poderia devolver ao PSDB, pois este jamais teve uma bela aparência. Oito anos de conhecimento do povo provaram esta ausência estética. Mesmo com o jornalista Hélio Fernandez alcunhando Fernando Henrique de pavão. É claro que não o real, já que não possui uma bela plumagem universal/animal. E o sofrimento maior para os ressentidos é que, mesmo que Lula, em sua elegância, quisesse pelo menos emprestá-la, jamais poderia: eles não podem ter beleza. A elegância é o estilo de Lula: sua aparência para onde convergem todas suas qualidades. E este á o amor deles por Lula. Daí orarem, com seus discursos, para que Lula continue existindo.

3 thoughts on “ARTHUR, O ELEGANTE

  1. Olá, companheiros.
    Já havia passado por aqui antes, inclusive guardei o link para divulgá-lo na minha lista de blogs, mas acabei perdendo.
    Hoje, recebi o texto sobre a “anta” e gostaria de pedir licença para publicá-lo no Pensamento Livre.
    O Blog de vocês é sem dúvida, um dos melhores que conheço, sobretudo pela forma inteligente, filosófica e escrachada de abrir o quengo dos mamulengos globo-vejianos.
    Abs

  2. Companheiro Carlinhos,
    Nem precisa licença, primeiro porque as informações não são nossas, estão aí no mundo público, segundo porque se temos alguma inteligência é a Inteligência Colativa e terceiro porque o barato da blogosfera é essa rede de relações sem começo nem fim, o que não é só um ataque aos globo-vejianos, conforme sua expressão, mas que os desespera por ser de uma ordem desconhecida deles, democrática.
    Então, manda brasa!

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